
Existe uma ideia cada vez mais comum de que a religião deve ser um lugar onde o homem se sinta bem consigo mesmo. Sobretudo entre os jovens, tornou-se atraente encontrar comunidades (principalmente as redes sociais e cursos) que dizem: "venha como você é", "você será aceito", "seja você mesmo". Mas há uma pergunta que quase nunca fazemos: o que de fato é sermos nós mesmos? Porque, se tudo aquilo que somos deve ser preservado, então para que serviria a conversão? Não existe sentido em consertar algo que está em perfeito estado. O catolicismo não nos promete isso. Não nos diz que podemos conservar intactos nossos desejos, nossos vícios, nossas vontades e ainda assim chamar isso de vida católica. Há coisas em nós que precisam morrer. "É preciso morrer para o mundo e viver para Cristo" E talvez seja justamente isso que torne a fé tão incômoda para o homem moderno. Nós fomos educados para acreditar que todo desconforto é ruim. Se algo incomoda, eliminamos. Se uma opinião nos contraria, rejeitamos. Se uma regra limita nossos desejos, questionamos a regra. Se alguém diz que estamos errados, dizemos que essa pessoa está sendo intolerante. (Como somos mesquinhos e miseráveis...) Até a moralidade passou a ser negociável. Aquilo que antes causava vergonha hoje é entretenimento. Aquilo que antes seria considerado impróprio para uma criança aparece diante dela com naturalidade. A vulgaridade deixou de causar estranhamento. A sensualidade foi banalizada. A violência virou espetáculo.E talvez o mais assustador não seja que essas coisas existam. É que já não saibamos por que deveríamos nos incomodar com elas. Perdemos o senso. E quando perdemos o senso, qualquer coisa pode ser chamada de normal. Por isso se há tantas "religiões do conforto".



